O grande radialista Alfredo Alvela, meu colega na casa de quartos alugados, uma velha mansão do Conde Redondo, bem juntinha ao saudoso Rialto, tinha um truque: Entrava sorrateiro, pé ante pé, encostava o ouvido à porta do quarto da velha dona da casa, verificava pelo ronco que esta pairava nos braços de Morfeu e, uma vez certo do caminho livre, chamava a dama que esperava no patamar da escada. Muitas vezes apanhado à saída, ouvindo-se então o remoque: "Senhor Alfredo, estou farta de lhe dizer que isto é uma casa séria, não serve para estas coisas. A continuar assim vai ter de se ir embora".
Em comum tinhamos um enorme ódio de estimação a um hóspede mais antigo, tipo sorumbático, já velho, de poucas ou nenhumas falas, pouco frequentador da sala da televisão e a quem não conheciamos gajas. A razão? Simples: Era o felizardo que morava no quarto independente.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O tipo procurava uma residencial, com algum nome, em Lisboa, uma vez que não convinha assustar a dama levando-a para um qualquer antro, cheio de percevejos e com lençóis por onde já tinham passado outros cús.
Havia uma, a A.P., onde até o nome tinha alguma conotação vagamente religiosa. Cumpridas as formalidades e aviado o serviço, ainda havia a hipótese de um pregito na Portugália, que, na época encerrava portas bastante mais tarde.
Na vez seguinte, como a coisa tinha corrido bem, volta o nosso protagonista à mesma residencial. Ainda por cima, como já tinha "ficha", pensava ele, as coisas seriam ainda mais simples.
Sabe... está aqui uma anotação a seu respeito... não leve a mal... isto é uma casa séria... não serve para esse tipo de coisas...
Saída rápida. Felizmente havia uma pochette daquelas que, dobradas, eram pequenas e desdobradas um saco de viagem. Depois de convenientemente cheia com um "Expresso",cujas páginas foram reduzidas a pequenas bolas de papel, o casalito ruma à residencial S.P. , um pouco mais à frente...
Cumpridas as formalidades e aviado o serviço, ainda havia a hipótese de um pregito na Portugália, que, na época encerrava portas bastante mais tarde.
Na vez seguinte, como a coisa tinha corrido bem, volta o nosso protagonista à mesma residencial. Ainda por cima, como já tinha "ficha", pensava ele, as coisas seriam ainda mais simples, ainda por cima ancorado no truque da falsa mala que entrava cheia e saía, pela uma e picos, completamente reduzida a uma insignificante bolsinha.
Sabe... está aqui uma anotação a seu respeito... não leve a mal... isto é uma casa séria... não serve para esse tipo de coisas...
Quando o tipo pensava para consigo: Foda-se outra vez a mesma merda... o recepcionista salvou-o:
Sabe, nós temos aqui mais à frente, num prédio de habitação, um andar completo onde, discretamente, um "casal que venha a Lisboa" pode descansar duas ou três horas antes de voltar para a província. Você tem sorte porque ainda tenho livre o... quarto independente.
Havia uma, a A.P., onde até o nome tinha alguma conotação vagamente religiosa. Cumpridas as formalidades e aviado o serviço, ainda havia a hipótese de um pregito na Portugália, que, na época encerrava portas bastante mais tarde.
Na vez seguinte, como a coisa tinha corrido bem, volta o nosso protagonista à mesma residencial. Ainda por cima, como já tinha "ficha", pensava ele, as coisas seriam ainda mais simples.
Sabe... está aqui uma anotação a seu respeito... não leve a mal... isto é uma casa séria... não serve para esse tipo de coisas...
Saída rápida. Felizmente havia uma pochette daquelas que, dobradas, eram pequenas e desdobradas um saco de viagem. Depois de convenientemente cheia com um "Expresso",cujas páginas foram reduzidas a pequenas bolas de papel, o casalito ruma à residencial S.P. , um pouco mais à frente...
Cumpridas as formalidades e aviado o serviço, ainda havia a hipótese de um pregito na Portugália, que, na época encerrava portas bastante mais tarde.
Na vez seguinte, como a coisa tinha corrido bem, volta o nosso protagonista à mesma residencial. Ainda por cima, como já tinha "ficha", pensava ele, as coisas seriam ainda mais simples, ainda por cima ancorado no truque da falsa mala que entrava cheia e saía, pela uma e picos, completamente reduzida a uma insignificante bolsinha.
Sabe... está aqui uma anotação a seu respeito... não leve a mal... isto é uma casa séria... não serve para esse tipo de coisas...
Quando o tipo pensava para consigo: Foda-se outra vez a mesma merda... o recepcionista salvou-o:
Sabe, nós temos aqui mais à frente, num prédio de habitação, um andar completo onde, discretamente, um "casal que venha a Lisboa" pode descansar duas ou três horas antes de voltar para a província. Você tem sorte porque ainda tenho livre o... quarto independente.
domingo, 27 de setembro de 2009
Com saída directa para a escada, discreto, ideal para as senhoras convidadas não serem vasculhadas pela(o)s restantes hóspedes, exceptuando obviamente a espreitadela pelo ralo da porta principal. Com ou sem serventia, mas, normalmente, com acesso à casa-de-banho o que implica a existência de duas chaves (mais a da escada). Renda: trezentoas e vinte escudos, mais dez escudos para a limpeza. Inclui luz, banho semanal e lavagem da roupa de cama.Localização: A nossa Lisboa.
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