O grande radialista Alfredo Alvela, meu colega na casa de quartos alugados, uma velha mansão do Conde Redondo, bem juntinha ao saudoso Rialto, tinha um truque: Entrava sorrateiro, pé ante pé, encostava o ouvido à porta do quarto da velha dona da casa, verificava pelo ronco que esta pairava nos braços de Morfeu e, uma vez certo do caminho livre, chamava a dama que esperava no patamar da escada. Muitas vezes apanhado à saída, ouvindo-se então o remoque: "Senhor Alfredo, estou farta de lhe dizer que isto é uma casa séria, não serve para estas coisas. A continuar assim vai ter de se ir embora".
Em comum tinhamos um enorme ódio de estimação a um hóspede mais antigo, tipo sorumbático, já velho, de poucas ou nenhumas falas, pouco frequentador da sala da televisão e a quem não conheciamos gajas. A razão? Simples: Era o felizardo que morava no quarto independente.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
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